Bordado II


De que linhas e correntinhas é feito o café da tarde Maranhense?

Essa fumaça bordando o espaço entre a coisa em si e nada (que é tudo) nessa paisagem enuviada por detrás do amor e dos pedaços de batata doce na boca e o cuscuz de coco se desmilinguindo todo ao som do blues – esse azul pintado à mão na louça da praia de Pipa onde Van Gogh sonhou seu noite estrelada e tal?

Em que barra de caminho de mesa entrelaçamos a linha grossa de macramê onde pessoas que gostam do doce e do salgado no mesmo prato-goiabada e queijo qualho sussurram nos ouvidos um do outro se é com açúcar, afeto ou demerara?

Qual o desenho do arroz frito em que dividimos todo óleo escorrendo nos lábios e guardanapo de papel e poeira da barraquinha de café na BR 316?

Que agulha me puxa 1, 2 ,3 pra perto desse passo, dessa dança, dessa corrente, desse jeito, desse laço?

*uma pequena ode às tardes Maranhenses. Poema, poesia, bordado…o que preferirem, saindo do forno de 34 graus que faz aqui no Médio Mearim – esse lado do Maranhão em que tudo é muito voluptuoso e bonito.

2 comentários em “Bordado II

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