Dez poemas e um buquê

O sol se desmilinguindo todo por dentro do carro. Eu abro as janelas pro cheiro de junho: as fogueiras daqueles que cumprem rituais juninos , todas as receitas de milho, açúcar e canela…

Eu parava no meio da avenida, defronte dos bolos, aos domingos. Acho o comprimento daquele rua lindo e foi o primeiro lugar a que me ative quando cheguei aqui. Quis criar um laço para que não fosse ausente em nós o que também nos faltava. Decorar os lugares: uma casa com fachada antiga ali, as mesinhas que gelam a pele, a senhora sempre sorridente abraçando os fregueses e a plaquinha de “vende-se ovo caipira”. A ausência é um charme, talvez uma saudade que se mate comendo biscoito com goiaba e café preto. Tem ausência que eu encho o pulmão de ar (não agora, não em qualquer lugar) e coloco o disco perfeito – aquele da Dinah Washington. Já a falta é uma pedra no rim, torcendo a uretra… é quase tomar um Buscopan que não alivia a dor…

Tenho usado máscaras que fazem a respiração ficar quente. Tenho lido a poesia das tardes, do céu daqui desse quintal…como que se me despedisse da grande aventura de ser eu nessa casa. Foi pouco o tempo aqui, não foi? Entrou água naquele dia como num Titanic…mas não afundamos…

No entanto eu olho pra poesia cubista que são as rachaduras nos pés dos móveis que Incharam. Feito mulher grávida, feito as fotografias que eu adoro ver no pinterest.

O sol se desmilinguindo entre os potes…essa é a única possibilidade: desmilinguir-se ao som de cebola e e alhos fritando no azeite…

“És o avesso do avesso do avesso”

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