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Canção do meu exílio

No meio dos meus catorze
Um escola, uma estética

sem prosa

Só poesia e a dor

Gonçalves Dias sem sua Amélia
Tecendo versos sobre Juca
O Pirama
‘Bravo e forte, filho do norte’
Meu pai recitando a epígrafe dos portões de uma universidade qualquer
O exílio do poeta
Vazio pra mim que nunca estive longe de nada
Agora trinta e três
Toca em mim a ” A ILHA” de Bruno Batista
Os tambores da terra ressoam em alguma parte alguma
Então, Eu, exílio voluntário,
“Ah, linda flor
Ah, triste flor ”
Só quem já odiou a ilha
A beira- mar
As escadaria da rua Do Giz
O baré no fim no copo americano
Sabe o terror que é amar de novo
Essa cidade, a ponte, as curvas da Beira-mar e olhar o sol tão perto dos leões
Tocou chorinho outro dia e eu tava lá
Bendita música que me atravessa
Bendita ILHA, minha musa eterna
Que saudade de ir sendo o que me tornei
A construção da mulher que me vejo agora
Sou tão Ilha quanto tu
Vou sendo São Luís
O meu amor e meu pavor
Debaixo de mim o rabo da serpente
Se me danarem boto tudo abaixo
Com esses meus olhos de Capitu

5 comentários em “Canção do meu exílio

  1. Que boniteza os seu poema, Moça! Eu amo os versos de Gonçalves Dias em questão. Eu me sentia exilado das gentes e compreendia perfeitamente o que ele queria dizer quando expressava que voltaria voltar para aquela terra onde gorgeia o sabiá, enquanto eu só queria vir ou voltar à Terra dos humanos. I-Juca-Pirama ou “aquele que é digno de ser morto” é uma das coisas mais brasileiras que já foi escrita.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Isso, Isso, Isso. Cê sabe que quando eu conheci o Gonçalves ele era uma estátua e o nome duma praça linda em São Luís. Ela dá pro braço de mar (que é rio) e pra ponte do São Francisco de que eu sempre falo. Dos dois lados a vista é linda. Essa praça tb recebe o nome de largo dos amores. E tudo que eu sabia sobre ele era que as pessoas iam namorar na praça dele. Quando estudei na escola a canção do exílio ela não tinha o significado tão fundo pra mim além do que já era de ser uma das poesias mais conhecida . Mas eu respeitei o primeiro poeta nacionalista e li sobre a paixão dele por Amélia… e toda vez que pego o ferry pra atravessar o mar imagino o barco do poeta naufragado tão perto da ilha. Mas agora, há 6 anos morando longe da capital, eu sinto tanta saudade às vezes de São Luís que a Canção do exílio e toda poesia passaram a fazer um enorme sentido… Tb acho incríveis e impactantes os versos de I Juca Pirama…papai recita vez em vento sempre um pedaço pra mim. Tb achei bonito o jeito que a poesia deu de se fazer presente agora. Abraço!

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  2. Eu não me lembro quantos anos eu tinha, mas não gostava do colégio, suas salas nada geográficas, com suas mesas estranhas e cadeiras desconfortáveis. O pior dos elementos era o bando que insistia em beabá e eu queria olhar para além dos horizontes e ser versos de Pessoa a navegar, a navegar. Eu queria ser marinheiro, respondi ao professor quando ele falou de profissão. Não o dos mares, o da vida. Poeta? Não. Poesia já há nos livros e eu bebo feito café borbulhante em copo de vidro. Eu queria era ser marinheiro da vida. E ele não entendeu. Respirei fundo e rompi com o sistema. Voltei para casa, peguei meu Alvaro de Campos, uma garrafa de água, um pacote de biscoitos de aveia e mel, uma fruta, enfiei tudo na mochila e decidi fugir de casa. Como das outras vezes, não fui muito longe. Mas passei um par de horas sentada na sombra de minha árvore, perto das pedras a observar o movimento de chegada e partida dos barcos, o som das ondas que quebravam nas pedras e repeti depois de ler mais uma vez ‘passagem das horas’. Quero ser marinheiro… sem porto, barco a deriva e gritar lá do meio ‘terra a vista’, sabendo do olhar que vai em todas as direções e pousa em minha figura inteira-plena-cheia. rs
    Acho que viajei-naveguei e ‘e onde diabo estou eu agora:
    Com almirante em vez de sensação?’…
    bacio

    Curtido por 1 pessoa

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