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Poema-Ilha

Poema da foto é de Matilde Campilho

Sabe como é…

(sabes mesmo como é?)
é que quando o poema fala “ilha” eu
Entendo essa ilha de cá
Não essa que passa nos jornais, não essa em que as pessoas só estão de passagem quando vão àquele enorme deserto albino
Essa aqui, essa que me faz cruzar toda a rua Grande só pra ver as bordas dos casarões…
Só pra dizer pela milésima vez que que ali no ‘Ferro de engomar’, é ali que eu gosto de olhar.

É que minha sensibilidade se torna um grande impedimento pras coisas práticas da vida. Como agora que eu eu queria ler poesia enquanto passo pelo centro -que eu queria ficar na janela do ônibus enquanto revejo todas as paisagens desde aquele tempo em que viajar era pegar Circular I pra ver a ponte.

Sabes como é?

É que tenho mais hormônios que Gonçalves Dias, meu saudosismo é mais vulcânico. Ainda assim é capaz de me ver quieta num canto e planejando morar na rua do Sol…
Sabes como é? Passei hoje pela Deodoro e senti saudades apertadas dos pregões…
“Não se preocupe, de tempos em tempos” a ilha se umidifica de novo.

De tempos em tempos eu vejo se a Serpente ainda pousa nos nossos subterrâneos … de tempos em tempos eu ouço as pedras da praça Nauro Machado cantar.

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